Agradeço-te por teres sido a besta que foste comigo



Tenho que agradecer-te pela pessoa que foste comigo. A sério, obrigado. Obrigado por seres um animal completo comigo, por insultares-me mutuamente, por ser humilhada diariamente e, por ser agredida psicologicamente a todo o minuto. Agradeço-te por ter conhecido o pior dos meus males e, em troca entreguei-me. Tiveste-me nas tuas mãos por inteiro e, desperdiçaste. Fico grata por ter alcançado o meu lado negro e, por ter conhecido uma faceta de mim que nem eu própria conhecia. Desrespeitei-me quando admiti que brincasses comigo. Um sincero obrigado por demonstrares-me o que realmente importa. E, o que interessa agora é cuidar de mim e, colar todos os pedaços de mim que deixei por aí, enquanto estava focada em ti, em nós. Obrigado por deixares-me sozinha, quando em silêncio implorava pela tua companhia, mesmo que não falasses, estarias ali. 
Tantas oportunidades que deixaste (deixamos) passar. Tantas juras e promessas de amor para acabar num amor obsessivo e manipulado. Sim, obsessão e manipulação entram na mesma frase quando não se tratar de gosto, mas sim de doença. 
Eu estava cega e, pensei dar certo, mas tu além de passares os dias a fazer juízos de valor, ainda criticavas tudo e mais alguma coisa. 
Se chove é porque chove. Se faz sol e calor é porque faz sol e calor. 
Agora vejo que os meus dias nublados antes de conhecer-te eram dias tão belos. 
Tinha a minha paz e liberdade e, isso não há dinheiro que pague. 


A nossa "aventura" tornou-se em dias de terror. E para tua satisfação os teus desejos tinham-se que ser ordens. 
Eu estava disposta a mover o mundo por ti, mas estragaste tudo. Percebi que nem um dedo por mim dobravas. Tinhas praticamente que pedir autorização ao outro pé para movimentares-te. Mas quando fazias um quanto por mim, estavas disposto a colocar tudo o que fosse de comunicação social, enquanto a "relação" era só nossa. 
Agarrei-me à pouca esperança que restou da última oportunidade que te dei e, com ela me magoei. Fizeste o que nunca nenhum homem tinha-me feito até então colocaste toda a tua força nos teus membros e, eu só quis fechar os olhos e, gritar muito, pedir socorro, mas o desgosto agarrou-se às minhas cordas vocais e, não consegui. Acho que na verdade acreditei que outra pessoa com as mesmas características físicas tuas estaria ali, em vez da pessoa que tinha estado comigo. Contudo, agradeci às minhas energias repentinas para atirar-te a minha horrorosa jarra de barro que pensei não servir para nada (ou servir para a reciclagem!), mas parecia que algo até ao momento estava destinado. Salvaste-me! 
Afastei-me de todo o mundo que queria-me bem, porque segundo tu, passávamos pouco tempo juntos. Nenhum amigo meu podia falar comigo, que já era meu amante. Não podia ser simpática com ninguém lá no trabalho que achava a pessoa mais atraente que ele. Até ir às compras, ele não largava-me. Mas eu não fui mulher para dizer basta no momento certo. Deixei tudo chegar ao ponto da exaustão, da desconfiança, desrespeito e, ao que nunca esperei: da violência. 
Concordamos sempre que tínhamos ainda vivido pouco e, que tinham sido meras palavras e, que poderia ser cansaço. Mas, cansada andava eu desta rotina, desta doença que tentaste-me levar contigo nessa tua lucidez. 
Eu sou muito mais do que a escrava que pintaste. Sou muito mais do que a tua cozinheira e baby-sitter. Mais uma vez, agradeço por não aceitares as minhas virtudes e defeitos. 
E já agora, por não amares-me de verdade e por inteiro, como eu de momento, sei que mereço. 
Por vezes, temos apenas que entender que somos seres humanos e, que dentro de nós bate um coração que movimenta-nos e, dá-nos sinais dos nossos instintos. 


Hoje sou feliz, porque te expulsei da minha vida.   



P.s. O texto escrito na primeira pessoa não significa de que o texto foi escrito verdadeiramente na primeira pessoa. Simplesmente são casos da vida e, algo do dia-a-dia. 

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